revista literária Polichinello

[ 4.7.09 ]

 





Rodrigo de Souza Leão
BARTLEBY H. BARTLEBY [14:04]

 



A nova literatura brasileira está de luto.

Poetas contemporâneos repercutem em seu blogues a morte do poeta e escritor RODRIGO DE SOUZA LEÃO.
Ele nos deixou num grande momento de sua carreira, quando concorre, por sua novela TODOS OS CACHORROS SÃO AZUIS, ao Prêmio Portugal Telecom 2009 (está entre os 50 finalistas do concurso).
Cada vez mais me fica a impressão de que o poeta é um enfermo da sua poesia e do mundo que habita enquanto um corpo estranho.
O sistema imunológico da existência logo identifica estas anomalias e trata de saná-las. O mundo recupera a sua saúde e, a vida, livre das patologias, volta a se harmonizar com o estéril.
Produzindo compulsivamente até o fim, RODRIGO DE SOUZA LEÃO, antecipa-se a ele nos poemas que deixa em seu blogue LOWCURA.
Deixa, além de inúmeros e-books e contribuições em revistas literárias, o livro de poemas O CAGA-REGRAS, de 2009.


Extraído de: http://guisalla.wordpress.com/2009/07/03/rodrigo-de-souza-leao-1965-2009/



BARTLEBY H. BARTLEBY [14:03]

 




P-O-E-M-A-S D-E
Rodrigo de Souza Leão





COR AZUL.


A mente esquizofrênica não funciona bem e boicota, sem os remédios, o tempo todo. Com remédios ficamos bem. Leves e tranqüilos para o mundo, que é muito bom. Fora as pessoas que não valem à pena, estas manter distância torna-se necessário.

Thursday, June 25, 2009


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Tudo é pequeno.

Tudo é pequeno
A fama
A lama
O lince hipnotizando a iguana

O que é grande
É a arte
Há vida em marte


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Entendi o funcionamento do cérebro humano.
Um duplo sem fim
Algo diz sim e algo diz não
E vence sempre o sim
Se a mente for um cetim


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MELHORA.

Tudo é uma criação da mente
Um poema ou um poente

Tudo tem um forte sentido
Quando não se oprime o indivíduo

Alguém soletra uma distância
A distância separa os fatos

A verdade não é tão necessária
Já que Heráclito já morreu


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Pai-Nosso.

Um homem alto e forte apontava uma arma sofisticada para a cabeça de um senhor nos seus oitenta anos. O homem alto e forte tremia. Suas veias pareciam pular da face como que armadas também. Ele vociferava e pedia ao velho que passasse tudo, que desse tudo, que fosse o mais rápido possível, que tudo estava por um triz. O velho calmo e com atitudes lentas de velho, pedia que o homem alto tivesse calma, que o homem alto não atirasse, que passaria tudo que tinha para ele, pois a sua vida era importante. O homem alto e forte tirou o relógio do velho e a camisa e o suspensório e a calça e a carteira. O velho ficou só de cueca enquanto o homem forte contava o dinheiro e queimava as roupas do velho. O homem alto e forte que havia roubado tudo do velho deixou-o caído depois de um soco e sumiu nas esquinas seguintes. Quando eu encontrei o velho, quis saber o porquê de ele estar rezando naquele momento se havia sido roubado e todos os seus pertences foram levados pelo homem alto e forte. O velho me respondeu que rezava por si mesmo, pois era ele, velho, quem poderia estar no lugar daquele homem alto e forte.



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Madalena, Madalena.

Estudar era coisa muito importante para Madalena. Ela havia conseguido o crédito educativo e fora a melhor aluna do curso de jornalismo. Tanto que dois meses antes da formatura já havia conseguido um lugarzinho no Jornal do Brasil. Dona de um texto no qual o adjetivo que ia escrever aqui só reduziria a sua qualidade, Madalena gostava de estudar e foi a única que se formou em três anos e meio e com todas as médias superiores a oito. Eu conhecia muito pouco Madalena e não fui de sua turma. Soube que ela colou grau sozinha e que um dia depois de formada, ao atravessar a pista dupla da Avenida Brasil, em frente ao Jornal do Brasil, foi atropelada por um caminhão da firma de relógios Tempo.

Wednesday, June 24, 2009

BARTLEBY H. BARTLEBY [13:56]